
Vermes intestinais estão entre as infecções mais comuns na infância, principalmente onde o saneamento é precário
Coceira no bumbum à noite, dor de barriga que vai e volta, criança sem apetite mesmo gostando de comer. Esses sinais, separados ou combinados, costumam levantar a suspeita de vermes, uma das infecções parasitárias mais frequentes entre crianças pequenas.
No Brasil, a contaminação por vermes segue ligada a fatores como saneamento básico deficiente, hábitos de higiene e o próprio comportamento infantil de explorar o ambiente com as mãos e levá-las à boca.
Dados divulgados pela FAPESP indicam que há uma maior prevalência de esquistossomose em São Paulo, principalmente nas regiões metropolitanas. A própria divulgação indica que esse verme, em específico, respondeu por 1.106 casos registrados em 2012 no estado paulista.
Quais vermes são mais comuns em crianças
Segundo o Ministério da Saúde, os parasitas intestinais mais frequentes no país incluem o Ascaris lumbricoides (a popular lombriga), o Enterobius vermicularis (oxiúro), o Trichuris trichiura e os ancilostomídeos, causadores da chamada ancilostomose ou amarelão.
A giardíase, causada pelo protozoário Giardia lamblia, também costuma ser incluída no grupo das verminoses pelo público em geral, embora tecnicamente não seja causada por um verme.
Cada um desses parasitas têm um ciclo de vida próprio e afeta o organismo de forma diferente, o que explica por que os sintomas variam bastante de um caso para outro.
Sintomas de verme em criança: o que observar em cada tipo
Os sinais de infecção por vermes mudam conforme o parasita envolvido.
Oxiúros (enterobíase): o sintoma mais característico é a coceira intensa na região anal, principalmente à noite, quando a fêmea do verme migra para depositar os ovos. Esses eventos podem causar irritabilidade, sono agitado e, em meninas, irritação na região genital.
Lombriga (ascaridíase): muitas crianças não apresentam sintomas. Quando aparecem, costumam incluir dor abdominal, náuseas, diarreia e falta de apetite. Em infestações mais intensas, pode haver eliminação do próprio verme nas fezes ou, em casos raros, quadros de obstrução intestinal.
Amarelão (ancilostomose): infecções leves podem passar despercebidas. Em crianças com carga parasitária maior, os sinais incluem palidez e cansaço, ligados à anemia por perda de ferro, além de possível atraso no desenvolvimento físico quando a infecção persiste sem tratamento.
Giardíase: costuma causar diarreia, gases, cólicas e, em alguns casos, perda de peso, já que o parasita interfere na absorção de nutrientes no intestino.
Tênia ou solitária (teníase e cisticercose): a teníase acontece quando a criança ingere carne bovina ou suína mal cozida contaminada com larvas do parasita, e costuma causar sintomas leves, como dor abdominal, enjoo e perda de peso. É comum a eliminação de pedaços do verme (proglotes) nas fezes.
Já a cisticercose é diferente. Ela acontece quando os ovos do parasita, e não a larva presente na carne, são ingeridos, o que permite que as larvas se instalem em outros tecidos do corpo, incluindo o sistema nervoso. Quando isso acontece, o quadro pode se tornar mais grave, incluindo dor de cabeça e convulsões, o que reforça a importância de investigar qualquer suspeita com o pediatra.
Esquistossomose (Schistosoma mansoni): diferente dos demais, esse parasita não é adquirido por via oral, mas pelo contato da pele com água doce contaminada por caramujos infectados, comum em rios, lagos e represas de regiões sem saneamento adequado.
Segundo o Ministério da Saúde, os primeiros sintomas costumam surgir de duas a seis semanas após o contato e podem incluir coceira e vermelhidão no local em que o parasita penetrou a pele, febre, dor abdominal e diarreia. Sem tratamento, o quadro pode evoluir para formas crônicas mais graves, com aumento do fígado e do abdômen.
Em comum, praticamente todos os quadros podem causar dor de barriga recorrente e queda no apetite, sintomas que merecem atenção principalmente quando eles persistem por vários dias. Também fique atento caso perceba que a criança passou a apresentar um inchaço anormal na região abdominal, passou a perder peso sem explicação e tem relatado com frequência sentir-se cansada ou se demonstrar mais apática.
Como acontece o contágio e a transmissão
A maior parte dos vermes intestinais se transmite pela ingestão de ovos ou larvas presentes em água, alimentos ou objetos contaminados com fezes. Mãos sujas levadas à boca são a principal via em crianças pequenas.
No caso do oxiúro, a transmissão também acontece de forma indireta, já que os ovos ficam presentes na poeira, em roupas de cama, roupas íntimas e brinquedos, e podem ser inalados ou ingeridos. Por isso, a reinfecção dentro de casa é comum quando apenas a criança é tratada e o restante da família não.
Já o amarelão tem uma via diferente. Sua transmissão acontece pelo contato direto da pele, geralmente dos pés descalços, com solo contaminado por larvas presentes em fezes humanas.
Ambientes e hábitos que aumentam o risco de transmissão de vermes em crianças
Alguns cenários favorecem a contaminação e merecem atenção redobrada dos pais:
- Áreas com saneamento básico deficiente ou sem rede de esgoto tratada;
- Solo de quintais, parques e áreas de terra onde a criança anda descalça;
- Caixas de areia coletivas sem manutenção adequada;
- Consumo de água não tratada ou de alimentos crus mal higienizados;
- Ambientes coletivos, como creches e escolas, onde o contato entre crianças é maior.
No geral, principalmente no que tange ambientes coletivos e escolares, as próprias instituições mantêm uma série de regras específicas para evitar o contágio. Em casa, evite acumular resíduos e sempre retire as fezes de animais de estimação.
Quais são as formas de prevenção de vermes em crianças
Entre as indicações do Ministério da Saúde estão:
- Lavar bem as mãos antes das refeições e principalmente após ir ao banheiro;
- Evitar fazer as necessidades perto de águas ou rios, açudes ou lagos;
- Priorizar a água filtrada no consumo diário;
- Lavar bem os alimentos e armazená-los corretamente;
- Evitar andar descalço;
- Manter a higiene e cuidados pessoais.
Além dessas indicações, é importante manter as unhas cortadas e reforçar entre os pequenos a lavagem das mãos antes e depois de usar o banheiro. Sempre que possível, acompanhar as crianças durante as brincadeiras, já que muitas delas podem ter contato com ambientes que são meios de contaminação potenciais, como caixas de areia.
Quando procurar o pediatra
Diante de sintomas persistentes, como dor abdominal recorrente, coceira anal frequente, diarreia que não melhora ou perda de peso, o caminho é procurar o pediatra.
O diagnóstico costuma ser feito por exame de fezes, embora no caso do oxiúro a coleta seja diferente, já que os ovos ficam concentrados na região anal e não aparecem sempre nas fezes.
O tratamento é feito com antiparasitários específicos, prescritos conforme o parasita identificado. A recomendação do Ministério da Saúde é que toda a família seja tratada junto, mesmo quem não apresenta sintomas, para interromper o ciclo de contaminação em casa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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