
Saiba como identificar a condição ortopédica em que ambos os quadris do bebê apresentam desenvolvimento inadequado
Diferente da forma unilateral, em que apenas um quadril é afetado, a displasia bilateral pode ser mais difícil de identificar nos primeiros meses, já que não há assimetria evidente entre as pernas.
A displasia do desenvolvimento do quadril trata-se de uma das alterações ortopédicas mais comuns na infância. Um estudo publicado pela Universidade de São Paulo (USP) menciona que cerca de 1 em cada 1.000 recém-nascidos apresenta luxação do quadril, enquanto até 10 em cada 1.000 podem apresentar instabilidade articular.
Quando não diagnosticada precocemente, a condição pode impactar o desenvolvimento motor da criança e aumentar o risco de complicações na vida adulta, como dor crônica e desgaste precoce da articulação.
Principais sintomas da displasia bilateral do quadril
Na displasia bilateral, os sinais podem ser mais sutis, especialmente nos primeiros meses de vida.
Entre os principais sinais estão:
- Dificuldade para abrir as pernas do bebê
- Rigidez ou limitação de movimento nos quadris
- Estalos ao movimentar a articulação
- Atraso no desenvolvimento motor (sentar, engatinhar ou andar)
- Marcha anormal ao iniciar a caminhada
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por meio de exame físico e exames de imagem. Ainda na maternidade, o pediatra realiza testes clínicos, como as manobras de Ortolani e Barlow, que ajudam a identificar instabilidade na articulação.
Quando há suspeita, o ortopedista pode solicitar:
- Ultrassonografia do quadril (principal exame nos primeiros meses)
- Radiografia (mais comum após os 4 a 6 meses de idade)
A triagem neonatal é considerada essencial, pois o diagnóstico precoce permite intervenções menos invasivas e melhores resultados funcionais ao longo da vida.
É importante saber que não existe uma prevenção absoluta, mas o acompanhamento pediátrico regular e a realização de exames de rotina são fundamentais para identificar a condição o quanto antes.
Tratamentos para displasia bilateral do quadril
O tratamento depende da idade da criança e do grau de comprometimento das articulações. As principais abordagens incluem:
- Órteses ortopédicas: como o suspensório de Pavlik, que mantém os quadris na posição correta
- Imobilização com gesso: indicada quando a órtese não é suficiente
- Cirurgia ortopédica: em casos mais avançados ou quando o tratamento inicial não apresenta resposta adequada
Na displasia bilateral, o tratamento pode exigir maior atenção, já que ambos os lados precisam ser corrigidos simultaneamente.
O acompanhamento com ortopedista pediátrico permite monitorar a evolução do quadril ao longo do crescimento, ajustar o tratamento quando necessário e reduzir riscos de complicações futuras.
O que acontece se a displasia bilateral do quadril não for tratada?
A ausência de tratamento pode trazer impactos significativos para a mobilidade e qualidade de vida da criança ao longo dos anos.
Entre as principais complicações estão:
- Dificuldade para andar ou marcha anormal
- Dor crônica no quadril
- Desgaste precoce da articulação (artrose)
- Limitação de movimentos
- Necessidade de cirurgias mais complexas na adolescência ou vida adulta
Ao perceber qualquer sinal ou fator de risco, é fundamental buscar avaliação com um especialista. O Hospital Christóvão da Gama conta com corpo clínico especializado em ortopedia pediátrica e estrutura completa para diagnóstico por imagem, permitindo avaliação precisa e acompanhamento contínuo de condições como a displasia do quadril.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado
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